terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Sobre o "caos" no Espírito Santo

Esposas e familiares dos PMs se movimentam contra o arrocho e a insegurança

A mídia comercial tem mostrado o "caos" no Espirito Santo por conta da greve dos policiais militares. Algumas coisas precisam bem esclarecidas sobre esse movimento. Em conversa com o cabo Noé, vice-presidente da Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiros Militares do Espírito Santo, colhemos as seguintes informações. 

1 - Não é uma greve de policiais. O que acontece é que as esposas e familiares dos policiais estão trancando as portas do batalhões e não estão permitindo que eles saiam. 

2- Os familiares decidiram fazer isso porque é vedado aos policiais fazer greve.

3 - Os familiares reivindicam um salário melhor aos policiais e também condições de trabalho. Hoje o salário médio é de 2.750 bruto, e é o pior salário do Brasil. No Espírito Santo eles estão sem ganho real há sete anos, e desde há três anos sequer têm reajuste da inflação. A situação é de penúria.

4 - Não bastasse a falta de salário, os policiais são obrigados a trabalhar enfrentando riscos cotidianos sem as condições para sua proteção. os coletes a prova de bala estão vencidos, e os que estão na validade precisam ser usados em sistema de rodízio. Um veste a proteção e outro não. A sorte define quem vive.

5  - As perdas salarias chegam a 45%, mas a Associação dos Praças alega que um reajuste de 10% já poderia abrir uma negociação. Ainda assim o governador Paulo Hartung, que é do PMDB, se nega a negociar. 

6 - A postura do governador é descrita como "imperial". Segundo os policiais eles prefere morrer a ceder. 

7 - Por outro lado, os policiais e suas famílias já estão morrendo e tampouco estão dispostos a seguir assim.  

8 - Se hoje o estado vive um caos, com criminosos nas ruas, tiroteios, sequestros, roubos de carro, saques, a responsabilidade deve ser dada a quem de direito: o governador e sua política de arrochar os trabalhadores em vez de cobrar as dívidas do empresariado local. Como sempre, o argumento para manter o salário baixo e não garantir a segurança dos soldados é a falência financeira do estado. Como sempre, pagam os trabalhadores.  

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